domingo, 16 de outubro de 2011

Poesias VI


MATURIDADE

Sim, meus filhos, nós somos adultos,
Nós somos adultos e nós não sabemos o que fazer,
Sim, minhas crianças, nós também somos crianças,
E estamos perdidos, confusos, na floresta escura,
Ninguém sabe o melhor caminho a tomar,
Ninguém sabe onde estão escondidos os buracos,
E a maioria de nós acaba por tropeçar e cair,
Quem sabe o que é sensato?
Quem sabe o que é moral?
Quem sabe, realmente?
Conselhos se esvaem,
E a mais profunda sabedoria,
A mais cautelosa prudência,
Somem,
Diante da imensidão da nossa própria loucura.

NASCIMENTO

Amo o dia! Amo o sol do meio dia!
Claro, límpido,
Ode a objetividade que tudo revela,
Sei que a noite é infinitamente maior em seus processos ocultos,
Mas ela só existe para que afinal o dia exista,
É na escuridão que as mais belas formas da manhã são gestadas,
Mas de nada vale todo o burilar da meia noite se o dia não se tornar real,
O abstrato é vida incriada, feto interrompido,
Se não rebentar o concreto.

FERA

Não esqueça criança,
Tu não és cordeiro senão leão,
Tu és leão!
Tens em ti o poder terrível de abater tua presa,
Tens a responsabilidade de caçar teu alimento todos os dias,
Sinta a fome intensa e saiba que ela é teu propósito,
Atice seu faro, e saiba que ele é teu guia.

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