domingo, 27 de novembro de 2011

Poesias VII


VASTIDÃO

Regozijai seres do mundo,
Porque todas as fronteiras foram derrubadas,
Ruíram os muros da mente,
Entre corpos e nações os limites desvanecem,
E quem sabe a abóbada não vos encubra,
Ou ao contrário, sejai tantos quanto as estrelas do céu?
Ou as infindáveis distâncias unam a todos em nuvens mutantes?
Pois tudo é um, mesmo além das planícies inumeráveis,
Onde mesmo o horizonte já não mais desenha a linha divisora,
E onde a queda no vazio permanece.

CADEADO

Ainda busco palavras para confessar,
Meu terrível segredo,
Ainda busco uma forma de confessar,
Meu indecente desatino,
Me falta o verbo pra dizer,
A verdade,
A verdade sobre o hediondo crime,
Sinto não poder falar,
Não contar ao mundo o que sinto,
Meu inefável pecado,
Meu indecente desatino.

SENSIBILIZAÇÃO

Sou rosa de pétalas negras e douradas,
Mas não me interessa o cálice da flor, mas a fragrância,
A exuberante cor apenas adorna,
É o cheiro que sensibiliza e toca o coração,
Assim, a rosa transforma,
E não se move.

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