sexta-feira, 2 de março de 2012

Poesias IX



Vocês já acordaram com a sensação de que nada, absolutamente nada, fosse familiar. De seus parentes aos colegas de trabalho; das teclas nervosas dos computadores impiedosamente dedilhadas às folhas cadentes das árvores; das curvas de uma bela moça ao caminhar desengonçado daquele obeso funcionário do outro setor; do vento sutil que apenas se diz ali presente, ao sol despejando uma impiedosa claridade; do barulho das conversas animadas ao silencio daquilo que ninguém sabe o que é. Enfim, vocês já acordaram e perceberam que tudo na verdade é profundamente estranho. Pois é, esse foi meu dia.

MEANINGLESS

Porque a natureza anda tão indiferente,
A vida anda por aí solta,
Esquecida de si.

Hoje tive um surto de poesia,
Quando isso acontece,
Todo mundo é estranho,
Hoje tudo é estranho mesmo o mais prosaico,
Que segredo esconde essas árvores?
Em que exótico idioma cantam os pássaros?

São poesias, pequenos versos pulverizados no ar,
Cada um deles brilha a luz do sol,
Qual vaga-lumes dançantes.

Deixe a minha loucura em paz,
Porque devo ouvir a música,
Sem nada esperar,
Mas de onde vem esta profunda melodia?
De que longínquos campos o seu eco faz-se ouvir?

IMPONÊNCIA

Meu castelo soerguido,
Fortaleza firme sobre a pedra,
Mas que regozijo em saber de tal poderio,
E que no fim das contas,
Só resta a rocha.

GRILHÕES

Deixe-me ser livre,
Livre para construir,
Minha própria ilusão de liberdade.

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