sábado, 14 de abril de 2012

VIAGEM AO GRANDE RIO AMAZONAS


O que venho contar nestas breves páginas são fatos assemelhados às obras do maravilhoso. Embora poucos cheguem um dia a darem crédito a elas, não posso negar o favor de registrá-las, dado a grande estima que tenho pelo homem que viveu os apuros aqui relatados. Esse amigo desgarrou-se da frota de canoas do capitão Pedro Teixeira Albernaz, português de alta estirpe e comandante de importante expedição de reconhecimento nos anos do Senhor de 1637, 1638 e 1639. Junto com outro soldado e três índios, ele adentrou o rio Negro em busca de riquezas à revelia de seu comandante, mas encontrou o inesperado.

As histórias de Orellana e de outros valentes exploradores sempre o encheram de esperança de um dia enriquecer com os imensos tesouros escondidos na mata fechada. As lendas de cidades escondidas repletas de ouro pintavam devaneios de riqueza nos sonhos dele todas as noites. Desejava com toda sua alma encontrar o país onde grandes maravilhas pudessem servir àqueles que tivessem a sabedoria e inteligência para usufruir delas: as mais férteis terras, especiarias de toda ordem e, principalmente, jazidas e mais jazidas dos mais valiosos metais.

Esses delírios tomavam de assalto o entendimento do meu amigo, mas nada fazia seu coração pulsar mais do que as narrativas que davam conta das fabulosas Amazonas. Ele tinha um desejo destemperado de um dia encontrar as tão faladas guerreiras. Ouvia os relatos dos primeiros exploradores daquelas terras sobre o clã de mulheres que emprestou o nome ao grande rio e tremia de curiosidade e fascinação. Queria ele um dia poder encontrar face a face as formosas donzelas, não sabia explicar bem por que: qualquer um que ouvisse dele a natureza do seu secreto intento tinha-o por louco e desequilibrado. Sendo assim, não tardou para que decidisse guardar apenas para si o sonho que acalentava com ardor.

Mas o fato de ter tais fantasias cultivadas em seu íntimo fez com que ele vibrasse de excitação quando fora chamado para servir na viagem de Pedro Teixeira. Esperava encontrar riquezas incalculáveis e ser reconhecido como herói e conquistador de Portugal. Corajoso, sentia-se pronto para enfrentar qualquer número de agruras que a viagem pudesse lhe impor. E ela impôs muitas. Durante o trajeto deparou-se com imensos temporais, corredeiras  furiosas, as moléstias da floresta que atacaram e levaram muitos de seus companheiros, a comida por vezes estranha dos índios e o eterno cansaço que impunha o incessante trabalho nas canoas.

A despeito dos obstáculos impostos pelo ambiente natural os viajantes raras vezes pelejaram contra tribos de índios. De temperamento afável e pacato, o capitão Pedro Teixeira mantinha-se fiel ao objetivo da missão: colher informações sobre a localização e características dos afluentes do Amazonas, fazer registros cartográficos e firmar aliança com os povos do rio. Também não se dispôs a incursões mais ousadas em busca de ouro ou riquezas escondidas. A sensatez do comandante contrastava com a profunda avidez do meu amigo.

Por várias vezes ele tentou dissuadir os expedicionários a mudarem de rota. Como serpente maliciosa soprava no ouvido dos companheiros a promessa de glória e riqueza que podia estar escondida sob o manto verde da selva. Mais hábil que ele, no entanto, era o capitão em manter coeso o grupo, falava a todos sobre o valor daquela missão e o grande reconhecimento que teriam do próprio rei por tê-la cumprido a contento. Sabia, acima de tudo, recompensar na medida certa os oficiais encontravam maneiras de impedir que o ânimo dos homens se esvaísse.

Assim transcorreram os meses, a frota de Pedro Teixeira subiu o rio até chegar a Quito, e novamente desceu em direção à foz. Ao chegar à boca do rio Negro a insistência do meu amigo em traçar um novo alvo para a jornada surtiu efeito. Com a proximidade do fim da viagem a maior parte da tripulação tinha os corpos alquebrados e as mentes tomadas por intensa frustração. Boa parte esperava terminar tão longa expedição com algum ganho que garantisse uma vida mais abastada, mesmo que não compartilhassem o sonho do Eldorado.

Ele aproveitou o descontentamento geral para mais uma vez sussurrar nos ouvidos dos homens. Lembrou a eles que, se todos se dispusessem a subir o rio Negro encontrariam farta riqueza: os homens e mulheres de numerosas tribos que poderiam ser transformados em escravos nas fazendas do Grão-Pará. Com a união das forças de todos seria fácil subjugar uma boa quantidade de índios e dividi-los entre os tripulantes.

Os homens foram todos falar ao capitão, expressando com brados e urros a cobiça que meu amigo despertou neles. Vendo a tripulação perto de perder o controle Pedro Teixeira cedeu, receoso de que a aquela oposição se transformasse em um motim. Assim, ele ordenou que pusessem velas nas embarcações para aproveitar o vento favorável a entrada no rio Negro. Os preparativos para a mudança de rota já estavam avançados, mas as palavras de dois jesuítas espanhóis que iam a bordo foram suficientes para pará-los.

Os padres Cristóbal de Acuña e Andrés de Artieda escreveram requerimento – depois lido em voz alta para todo o grupo – contra a subida ao Negro. Apresentaram argumentos como o da urgência em chegar ao Grão-Pará e dar conta dos relatos de viagem à Vossa Majestade, rei Felipe IV da Espanha e III de Portugal. Também lembraram a inutilidade e o perigo em meter-se em atritos com as tribos locais:

— Ademais, os índios deste rio são gente muito belicosa e armada de arco e flecha, com os quais nos poderiam fazer muito dano, principalmente pela pouca força dos índios que nos restam, muitos dos quais estão enfermos e outros são jovens, sem experiência de guerra – assim os religiosos demoveram a tripulação da louca empresa que estavam prestes a se meter.

Nesse instante o descontentamento do meu amigo transformou-se em fúria. Vendo que não encontrava coro em sua insanidade decidiu que ia ele mesmo, sozinho, em busca das riquezas escondidas. Teria sido capaz de atravessar o rio a nado se não fosse pela intervenção de um amigo fiel, que se propôs a acompanhá-lo mesmo a contragosto. Juntos vieram também três índios que deviam lealdade ao meu amigo.

Bem, a partir desse ponto o meu amigo saiu da realidade dos homens sãos e mergulhou nas maravilhas e delírios que a selva pode proporcionar. De agora em diante, chamá-lo-ei Antônio, ao seu companheiro Ricardo e aos índios Acauã, Caajuru e Peri. Esses são nomes falsos, pois nestes escritos pretendo preservar meu amigo dos maus ditos do povo. É, de resto, um meio de tornar mais fácil a compreensão da sequência dos fatos e a quem eles afetaram.

Ao entardecer do mesmo dia em que os padres entregaram o requerimento, o pequeno grupo furtou uma canoa e pôs-se a remar em direção ao Negro. A ação deles foi silenciosa o suficiente para que a tripulação não desse pela falta dos cincos. E, assim, eles adentraram o rio. Quando já estavam sobre as águas escuras há uns bons minutos eles puderam presenciar um lindo pôr do sol. A cena era extasiante: mesmo para quem navega por aquelas plagas há muito tempo as belezas da selva continuam a impressionar.

Enquanto todos quedaram paralisados durante alguns instantes frente ao espetáculo Antônio achou de, sem motivo, olhar para o lado oposto. Lá viu um intenso brilho, quase intenso o bastante para ofuscar, reluzindo de dentro da selva há umas três ou quatro léguas. Foi o bastante para que ele bradasse enlouquecido:

— É ouro! É ouro! Nada tem brilho tão forte a essa distância! Amigos, não há dúvida que é ouro! Remem, remem com todas as suas forças!

Sem opção, os companheiros obedeceram. Enquanto o sol não sumiu por completo eles continuaram a remar e ainda podiam ver o estranho brilho escondido por entre as folhas das árvores gigantescas. Mas apenas poucos minutos depois o sol já havia sumido completamente junto com a estrela da mata. O anoitecer trouxe pesadas nuvens e, em seguida, uma ruidosa tempestade. As águas abundantes que caíram do céu somadas aos raios transformaram o rio em mar revolto e os aventureiros tiveram que lutar para não serem tragados pelas ondas. Eles tentaram a todo custo chegar até à margem onde poderiam encontrar abrigo seguro, mas as correntes os arrastaram para cada vez mais longe.

A luz intermitente somava-se a todas as dificuldades que recaiam sobre eles naquele momento. Ora um clarão iluminava tudo, ora um breu completo parecia abraçar-se ao negrume do rio, cegando o pequeno grupo. Por umas duas ou três vezes, em lampejos como esses, Antônio jurou ter visto uma índia nua dançando sobre as águas do rio. Logo depois a escuridão tomou conta de novo e dissipou-se com mais um relâmpago que, desta vez, revelou Acauã enrodilhado por uma enorme cobra. O ser já quebrava os ossos do pobre índio antes que os companheiros pudessem agir. O som dos estalos superava o barulho da chuva inclemente.

No instante seguinte um grande impacto sacudiu a canoa. Antônio caiu e perdeu a consciência. Quando deu novamente por si estava deitado em uma das inúmeras praias no rio Negro. Antes de conseguir levantar-se oscilou entre vigília e sono durante muito tempo. Ouvia o som das ondas, desta vez plácidas, do Negro. Sentia a areia tocar seu corpo e a areia e a água os seus pés. O corpo todo doía, como se ele tivesse sido atingido por um enorme projétil de canhão. Tentava em vão mover-se, mas não lhe parecia haver músculos que bastassem. Com muito esforço abriu os olhos e viu outros, próximos, bem negros. Fechou novamente. Sentiu cheiro de pele molhada, e uma mão pequena e macia tocando seu ventre.

Só conseguiu pôr-se de pé novamente quando Ricardo o encontrou e  o ajudou a erguer-se:

— Vamos, amigo, precisamos sair dessa floresta maldita... Temos que descobri um meio de encontrarmos novamente a expedição.

Caajuru, que estava junto, apoiou Antônio pelo flanco esquerdo, enquanto Ricardo permanecia no direito. Algum tempo depois, quando Antônio já podia novamente andar, eles reencontraram Peri. Ele vinha trazendo nas duas mãos pequenos frutos de casca vermelha, naturalmente entreabertos de forma a revelar a polpa branca e semente preta. A quem visse de relance parecia um punhado de olhos de crianças. O gosto era azedo, mas a sensação que se tinha depois de comer alguns deles é de energias renovadas.

Com o novo fôlego eles puderam andar por algumas horas. As areias brancas pareciam não ter fim e o grupo já começava a amaldiçoar a infeliz aventura quando se depararam com uma cena que fez com que eles duvidassem que estavam acordados. Viram uma embarcação de médio porte, capaz talvez de carregar uma dúzia de homens. Era feita de madeira e movida tanto a remos quanto por uma vela posicionada no centro do casco. Na proa e na popa viam-se cabeças de cobra entalhadas em pedra. No lugar dos olhos, pedras vermelhas semelhantes a rubis, porém opacas e com listras brancas cortando-as transversalmente.

— Vejam, esta é a nossa chance de voltarmos para casa, com este barco podemos com certeza enfrentar temporais piores do que aqueles! – disse Ricardo, num misto de alivio e euforia.

— Está louco! – retrucou Antônio – Em verdade esta é a chance de ficarmos ricos e poderosos! Não vê que o povo que construiu deve guardar consigo montanhas de ouro e joias!

— Pois então é assim que você pensa! – bradou Ricardo – Pois saiba que este mesmo povo deve possuir armas poderosas às quais não poderemos nos opor na condição que nos encontramos.

— Idiota! Nosso grupo é pequeno o bastante para que possamos tomar o que nos aprouver, além disso, se descobrirmos a localização da cidade secreta e pudermos provar que ela existe poderemos nos tornar heróis! – enfatizou Antônio, com cenho franzido e músculos retesados.

— Pois bem, que siga você sozinho seus delírios de grandeza! Vou embora! Caajuru, Peri, está na hora de decidir onde está vossa lealdade!

Antes que os índios pudessem responder, Ricardo já avançava a passos largos em direção ao barco. No momento em que tirava a corda que o prendia a uma estaca um gavião arremeteu contra ele jogando-o ao chão. Com as mãos no rosto o infeliz começou a debater-se e gritar de dor: a ave atingira em cheio o seu olho esquerdo. Tentou levantar-se e correr ao grupo, mas outro pássaro acertou-lhe a nuca derrubando-o inerte na areia antes que qualquer dos companheiros pudesse esboçar uma mínima reação.

Quando olharam para o céu viram que pelo menos umas dez aves como aquela rondavam a região. Outra repetiu o movimento lançando-se contra Peri, que se agachou a tempo de se salvar – mais duas atacaram seguidamente Antônio, que protegeu a cabeça com os braços e correu com todas as suas forças em direção à selva. Os índios o acompanharam pela mata fechada. Na carreira alucinada chegaram a esbarrar em raízes, enroscar-se em cipós e ferir-se em espinhos, até que caíram de joelhos em chão firme.

Durante os instantes em que recuperaram o fôlego e a lucidez perceberam que estavam sobre pedras cortadas com perfeição e encaixadas como lajotas. Levantaram e se viram em uma estrada primorosamente construída. Antônio teve a impressão de ver um vulto sumir em uma curva alguns metros à frente: fez sinal para que seguissem naquela direção.

Tinham todos os pelos do corpo eriçados, atentos a uma nova ameaça. Andavam devagar. Ao longe ouviam o gralhar de aves e os cantos mais estranhos que já chegaram a escutar. Algumas vezes um grito estridente de um macaco quebrava o silêncio - outros sons ainda mais inusitados se seguiam. O barulho do rio já soava distante quando escutaram o ruído de um sopro forte saindo da mata. Naquele instante, Caajuru caiu morto no chão, em seu pescoço via-se uma seta cravada.

Vendo aquilo Antônio e Peri voltaram a correr desesperados. Em seu pavor ignoraram a sensação de fogo que já lhe consumia os músculos e as dores em todos os ossos do corpo. Pareciam voar pela selva. Ao redor continuaram a ouvir o barulho de sopro forte, que os faziam apertar ainda mais as passadas. As araras começaram a cantar, estridentes, criando um coro ensurdecedor.

Os dois só pararam depois de alcançar uma clareira. No meio havia uma grande casa de pedra que, no formato, lembrava ocas de tribos como várias já vistas nessas terras do Brasil - o centro da construção ostentava um portal com dossel de madeira talhado com detalhes riquíssimos de deuses e demônios desconhecidos. A entrada era protegida por dois enormes monstros de pedra parecidos com gárgulas que encaravam raivosos os invasores.

O português e o índio preferiram não entrar - em vez disso contornaram a casa pelo corredor estreito que se formava entre a parede de pedra e a mata. Andavam pé ante pé, tomados pelo terror. Quando estavam a meio caminho do lado oposto da construção uma índia pulou do teto na frente deles. Antônio, que ia a frente, assustou-se ao ponto de cair ao chão diante da mulher. Prostrado, ele pode olhá-la com atenção: possuía a pele de bronze das índias que já vira muitas vezes e cabelos longos e lisos que chegavam a ultrapassar a cintura. No pulso esquerdo vestia pulseiras prateadas que soavam como guizos de cascavel na medida em que ela caminhava e dançava em direção à dupla atordoada.

Ela tinha unhas compridas e afiadas como as garras de um animal, mas aquilo não intimidou meu amigo. Ele já estava totalmente enredado nos encantos da feiticeira. A paixão tomou conta dele ao ponto de esquecer-se completamente das bênçãos do Criador, do sacrifício de Cristo ou das Leis da Igreja. Os acalentados delírios que tinha com as fabulosas Amazonas o fizeram entregar-se inteiramente ao deleite das carícias da mulher. Ele contou-me que durante esses instantes perdeu completamente o entendimento da própria condição de homem. Tornou-se bicho. O passar do tempo não existia mais – calor e frio perderam o significado.

Só os abraços e o calor do corpo da ninfa importava para ele. O frenesi confundiu os discernimento de Antônio fazendo-o ignorar completamente as unhas da índia cravadas no dorso. Ele só foi resgatado depois que Peri atacou a mulher com um galho. Felina, ela virou-se a tempo, esquivou-se, e feriu o rosto do índio com as garras. Peri ainda arriscou outro golpe, mas a bruxa fugiu pelo mesmo caminho em que eles chegaram.

Ansiosos por fugirem daquele lugar amaldiçoado os dois continuaram em frente, sem saber onde queriam chegar. Dessa vez não mais corriam, apenas tropeçavam nervosamente. Chegaram a outra clareira, desta vez vazia. Logo se viram cercado por uma tropa de soldados, ou melhor, soldadas. Eram as Amazonas.

As belas índias montavam onças que as obedeciam como cães dóceis. Possuíam adornos de ouro puro a esticar as orelhas até alcançarem a linha dos ombros. Empunhavam lanças de pedra afiadas com primor não visto em toda a extensão do Grande Rio. Segundo os relatos do meu amigo as mulheres não superavam em estatura nossas próprias donzelas, deviam ser até menores, mal alcançando os sete palmos. Mas, naquele instante, a majestade com que elas os observavam criava nos homens a ilusão de que estavam lidando com gigantes – quiçá com deusas filhas do próprio Olimpo.

Uma delas, de aparência vistosa e que, a julgar pelos colares feitos ouro e outros metais nobres que as outras não ostentavam, era a líder das demais, tomou a frente. Em Língua Geral clara e bem pronunciada, disse:

“O sangue dos nossos protegidos – espalhados por toda a terra abraçada pela selva mãe – corre ao ponto de tingir o Grande Rio de vermelho. Mas devo informar a vós que Ele acabará lavando a lembrança desta época de dor, como o fez muitas vezes antes quando a violência das tribos superou a das feras. E ainda que nossas faces sumam de vez de vossa memória e que, em vosso entendimento, não sobrem mais vestígios das aldeias que um dia beberam dessas águas, sabeis que estaremos aqui. Em cada planta, em cada macaco, em cada peixe. Seremos a seiva do jequitibá. Em cada boto, em cada pássaro e em cada formiga. Seremos as patas da aranha. Em cada flor, em cada folha e em cada tartaruga. Seremos as presas da sucuri. Seremos as garras da onça. É por isso que nunca, nunca, ireis adentrar os mistérios da floresta. Porque nós somos as guardiãs”.

E os dois perderam instantaneamente a consciência. E acordaram, flutuando em uma canoa que logo foi novamente encontrada pelos homens do capitão Pedro Teixeira. Antônio e Peri receberam os cuidados necessários para se recuperarem e foram restituídos ao convívio geral.

Hoje meu amigo vive uma vida completamente distinta da que levava: longe de delírios de ambição. O sonho que guardava no íntimo sumiu, porque foi realizado da forma mais terrível. Tomou as bênçãos do Senhor entrando para Ordem dos Frades Menores de São Francisco de Assis. Gasta seus dias na evangelização dos índios e em estudos de sementes e plantas que porventura possam se converter em fartos cultivos. Mas, em todo esse tempo, um sentimento nunca o abandonou: a profunda reverência pela selva e seus segredos.



A lenda que dava conta da existência de uma tribo de mulheres guerreiras - semelhantes às descritas na mitologia grega - estimulou a imaginação dos primeiros exploradores da Amazônia. Os relatos das viagens do espanhol Francisco de Orellana e do português Pedro Teixeira Albernaz davam conta da existência das Amazonas - também chamadas Icamiabas - apesar dos dois nunca terem realmente encontrado a tribo. Ainda assim, alguns misturaram as crenças nas mulheres guerreiras com os mitos do Eldorado e juravam que elas eram detentoras de imensas riquezas.

Este conto participou do 4º Desafio Literário do site A Irmandade.  



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