domingo, 3 de julho de 2011

O pássaro que caiu

Essa foi uma pequena história que escrevi em 2009 sobre um pássaro que teve um destino trágico nas garras de um gavião. Já houve quem me perguntasse com o coração condoído o que aconteceria com o animal ferido. Pensei em algumas possibilidades de ele se recuperar e ao mesmo tempo eu passar uma liçãozinha com a fábula, mas tudo muito forçado. Talvez eu escolha outro caminho. Particularmente, eu não sou avesso finais tristes...


   Era uma vez o pássaro que caiu. Ele costumava voar majestosamente. Descrevia curvas e pirueta sinuosas e belas no ar. Era capaz de mergulhos ousados dos quais arremetia a poucos centímetros do chão. Ao mesmo tempo, permanecia dias planando no ar sem precisar comer nem beber em épocas de migração. Tinha um vigor de fazer inveja a todos os seus primos e primas. A sua habilidade e força fazia jus às asas poderosas que a natureza lhe deu.
   Houve, contudo, um trágico dia. Um fim de tarde em que voava tranquilamente sobre a relva. O pássaro não exibia sinais de medo ou receio e permanecia brincando – subindo e descendo, e inventando giros novos que ninguém imaginaria que uma ave poderia realizar. Foi quando subitamente ele foi alvo da arremetida de um gavião. Escapou por pouco, graças a sua incrível agilidade. Suas asas, porém, foram feridas, e ficaram irremediavelmente incapacitadas.
   Acordou mais tarde, metido no oco de uma árvore aonde fora arremessado pelo impacto. Percebeu que não podia mais voar, apenas caminhar. Viu-se obrigado a descer da árvore de galho em galho, com cuidado desmedido, já que não tinha nem o equilíbrio nem a confiança de outrora. De volta ao chão, teve que se alimentar de minhocas e vermes que em nada lembravam as suculentas libélulas que era capaz de apanhar em pleno ar – ou os frutos carnosos que colhia nas mais altas árvores. Com o passar do tempo, esqueceu-se que um dia foi capaz de voar... 

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