sábado, 23 de julho de 2011

ENCONTRO

Em um momento de devaneio comecei a observar formigas que andavam sobre a parede. Algumas vinham, algumas iam. De vez em quando, as que iam encontravam as que viam. Paravam. Reconheciam-se. Falavam-se. Sim, falavam-se! Pareceu-me que uma dupla demorava-se em uma conversa. Que mensagem transmitiram não sei, mas algum tempo depois continuaram o caminho. Uma delas depois de andar um pouco, parou por alguns instantes. Fiquei imaginando por que teria parado. Em que estaria pensando?

Será que foi tocada, tal qual eu mesmo fui diversas vezes em conversas que para mim foram mais que conversas? Teria alguma verdade - ou dúvida - profunda alcançado aquela pequena alma-inseto? Na verdade, a mente por vezes tenta digerir o que na verdade ultrapassou os seus limites. Procura desesperadamente por termo ao interminável. O corpo para por alguns instantes, mas a mente, enfim, sucumbe. E, nesse momento, ainda imersos no profundo mistério, mas não mais envoltos em pensamentos, continuamos a marcha. Naquele momento - como em muitos outros - eu era aquela formiga.

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